Perceber que uma pessoa idosa deixou de sentir o cheiro do café, do sabonete ou da comida pode causar estranheza na família. Às vezes, a mudança aparece depois de um resfriado e melhora sozinha. Em outras, vem aos poucos e passa despercebida até alterar o apetite ou a segurança dentro de casa.
A perda de olfato em idosos não deve ser atribuída automaticamente à idade, embora o envelhecimento possa reduzir a percepção dos odores. O mais útil é observar quando começou, se foi total ou parcial e quais outros sintomas apareceram. Essa informação ajuda o profissional a decidir se é preciso investigar o nariz, os medicamentos, uma infecção ou outras condições de saúde.

O que pode causar a perda de olfato em idosos?
O nome depende da intensidade da alteração. Anosmia é a perda completa do olfato; hiposmia é a redução parcial. O olfato participa da percepção do sabor, por isso a pessoa pode dizer que a comida ficou “sem gosto” mesmo continuando a reconhecer o salgado, o doce, o azedo ou o amargo percebidos pela língua.
Segundo o Manual MSD, mudanças relacionadas ao envelhecimento podem ser percebidas por volta dos 60 anos e se tornar mais importantes depois dos 70. Isso não significa que uma perda nova ou intensa seja normal. O momento em que a alteração apareceu continua sendo uma pista importante.
Congestão nasal, rinite, sinusite, pólipos e infecções das vias respiratórias podem impedir que os odores cheguem à região responsável pela identificação dos cheiros. Um resfriado ou uma gripe recente pode ser seguido por uma redução temporária. A covid-19 também pode causar alteração do olfato, especialmente quando há outros sinais de infecção.
Há ainda causas que precisam ser avaliadas de forma individual. Traumatismo craniano, exposição a substâncias irritantes e alguns medicamentos podem participar do quadro. Em adultos mais velhos, doenças neurológicas também entram na investigação quando a perda vem acompanhada de mudanças de memória, equilíbrio, fala, movimento ou comportamento. Isso não permite concluir que exista demência ou outra doença específica, mas mostra por que não é seguro fazer um diagnóstico em casa.
Uma diferença entre os lados também merece ser mencionada na consulta. Se a pessoa sente cheiro por uma narina, mas não pela outra, pode haver obstrução ou inflamação localizada. Se a alteração começou depois de um procedimento, uma queda ou uma pancada na cabeça, o profissional precisa saber exatamente quando e como aconteceu.
Quando a alteração precisa de avaliação mais rápida?
Marque uma avaliação médica quando a perda persistir, estiver piorando ou não tiver uma explicação clara. A porta de entrada pode ser o clínico ou o geriatra. Conforme o caso, ele pode encaminhar para um otorrinolaringologista, revisar os medicamentos e solicitar testes ou exames complementares.
Procure atendimento com mais urgência quando a perda de olfato começar de repente depois de uma pancada na cabeça, ou quando vier acompanhada de fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar ou engolir, alteração visual importante, desequilíbrio intenso, desmaio ou confusão súbita. Esses sinais não devem ser explicados apenas pelo envelhecimento ou por um nariz entupido.
Febre persistente, falta de ar, dor forte na face, secreção nasal com mau cheiro ou sangue, dor de cabeça nova e intensa e piora rápida do estado geral também justificam avaliação. A urgência exata depende do conjunto dos sintomas e das condições que a pessoa já tem. Se houver dificuldade para respirar, alteração neurológica súbita ou rebaixamento da consciência, acione o serviço de emergência da sua região.
Enquanto aguarda uma consulta, evite testar o olfato com produtos irritantes, álcool, amônia, água sanitária ou gás. Esses produtos podem machucar a mucosa e não mostram de maneira confiável se o sentido está funcionando. Também não use descongestionantes, antibióticos ou corticoides por conta própria. O uso prolongado de alguns produtos nasais pode piorar a congestão, e o tratamento correto depende da causa.
Que cuidados ajudam no dia a dia?
A perda de olfato muda a forma como a pessoa percebe o ambiente. Ela pode não notar fumaça, vazamento de gás ou comida estragada. Confira se os detectores de fumaça estão funcionando e, se houver gás em casa, mantenha a manutenção do equipamento em dia. Explique a limitação com respeito e combine uma rotina de checagem feita por alguém da família, sem transformar o idoso em alguém incapaz.
Na cozinha, identifique a data de abertura e a validade dos alimentos. Guarde as sobras com data e descarte o que ficou tempo demais fora da geladeira. Não dependa apenas do cheiro para decidir se um alimento está seguro. Observe a conservação, a temperatura e a orientação da embalagem. Se a pessoa mora sozinha, etiquetas simples e uma revisão semanal dos alimentos podem reduzir riscos.
O apetite também pode cair quando a comida perde aroma e fica menos prazerosa. Observe redução das porções, perda de peso, cansaço e desinteresse pelas refeições. O artigo do RBGG sobre perda de apetite em idosos pode ajudar a organizar o que registrar antes de conversar com a equipe de saúde. Não é preciso aumentar sal, açúcar ou temperos fortes sem orientação, especialmente se a pessoa tem pressão alta, diabetes, doença renal ou dificuldade para engolir.
Para preservar o prazer de comer, mantenha a comida na temperatura adequada, varie cores e texturas seguras e considere ervas e temperos naturais que já sejam compatíveis com a dieta indicada. Pergunte quais alimentos ainda despertam interesse. A meta não é obrigar a pessoa a comer, mas entender se a mudança sensorial está reduzindo a ingestão e buscar apoio de nutricionista, médico ou fonoaudiólogo quando necessário.
Não tente “treinar” o olfato com substâncias perigosas nem compre suplementos anunciados como cura. Algumas pessoas podem receber orientação profissional para reabilitação olfatória, mas a indicação e a forma de fazer variam. O tratamento costuma ser dirigido à causa: controlar uma rinite, tratar uma infecção, rever um medicamento ou investigar uma alteração que precise de acompanhamento.
Como é feita a investigação?
Na consulta, o profissional vai perguntar sobre o início, a duração e a intensidade da perda, além de resfriados, alergias, cirurgias, traumas, tabagismo, exposição a produtos químicos e remédios em uso. Vale levar uma lista atualizada de medicamentos e anotar exemplos concretos: “não senti o cheiro de queimado”, “o café parece sem aroma” ou “só percebo cheiros fortes”.
O exame pode incluir a inspeção das passagens nasais e uma avaliação neurológica. Em algumas situações, são usados testes padronizados de identificação de odores. Exames de imagem não são obrigatórios para todos, mas podem ser indicados quando a causa não é evidente, os sintomas são persistentes ou há sinais de alerta.
O retorno do olfato depende da origem do problema. Uma congestão passageira pode melhorar, enquanto alterações relacionadas a trauma, inflamação prolongada ou condições neurológicas podem ter evolução diferente. O profissional é quem pode explicar a expectativa mais realista e acompanhar a resposta ao tratamento.
A família pode ajudar sem vigiar cada gesto. Registre mudanças, adapte a segurança da casa e preserve a autonomia possível. Perder o olfato não é diagnóstico por si só, mas uma alteração nova, persistente ou acompanhada de outros sintomas merece ser levada a sério. A avaliação adequada evita tanto o alarmismo quanto a demora em procurar ajuda.
Perguntas frequentes
A perda de olfato faz parte do envelhecimento?
O envelhecimento pode reduzir a percepção dos odores, mas uma perda nova, intensa ou progressiva deve ser avaliada para investigar outras causas.
Perder o olfato significa perder o paladar?
Não necessariamente. O olfato influencia a percepção dos sabores, mas a língua continua reconhecendo sensações como doce, salgado, azedo e amargo.
Como proteger uma pessoa que não sente cheiro de gás ou fumaça?
Mantenha detectores em funcionamento, faça a manutenção dos equipamentos e combine uma checagem regular do ambiente e dos alimentos.
Qual médico deve avaliar a alteração?
Clínico ou geriatra podem iniciar a investigação e encaminhar para otorrinolaringologista ou outro profissional conforme os sintomas.
Existe remédio para recuperar o olfato?
Não há um remédio único para todos os casos. O tratamento depende da causa e não deve ser iniciado por conta própria.
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