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Ardor nos olhos em idosos: causas, cuidados e quando procurar ajuda

Por Carlos Meirelles 21/08/2026

Ver a pessoa idosa esfregar os olhos ou reclamar de ardor e sensação de queimação costuma preocupar a família. O desconforto pode ser passageiro, mas também pode indicar um problema na superfície ocular ou nas pálpebras que precisa de avaliação.

Ardor nos olhos não é um diagnóstico único. A causa pode estar relacionada ao ressecamento, à irritação do ambiente, a uma inflamação nas pálpebras, à alergia ou a uma infecção. Observar quando o sintoma aparece e quais sinais vêm junto ajuda a decidir o próximo passo, sem substituir a consulta.

Pessoa com ardor e irritação nos olhos, tocando suavemente a região abaixo da pálpebra

O que pode causar ardor nos olhos em idosos?

Uma das possibilidades é o olho seco. Com o passar dos anos, a produção e a qualidade da lágrima podem mudar. Telas, vento, ar-condicionado, baixa umidade e períodos longos de leitura também reduzem o piscar e favorecem a evaporação da lágrima. Além do ardor, podem aparecer sensação de areia, vermelhidão, cansaço visual, visão oscilante e lacrimejamento reflexo.

Outra causa frequente é a blefarite, inflamação na borda das pálpebras. Crostas na raiz dos cílios, pálpebras grudadas ao acordar, coceira e vermelhidão tornam essa hipótese mais provável, embora somente o exame possa confirmar. A condição costuma ter períodos de melhora e piora e pode coexistir com olho seco. A American Academy of Ophthalmology descreve a blefarite como um quadro que pode causar ardência, irritação, lacrimejamento e visão embaçada.

Alergia ocular pode provocar coceira intensa, lacrimejamento e irritação, especialmente depois do contato com poeira, fumaça, produtos de limpeza ou pelos de animais. Já a conjuntivite pode vir acompanhada de vermelhidão mais marcada e secreção. Quando há dor localizada e um caroço dolorido na pálpebra, terçol ou calázio também entram nas possibilidades.

Medicamentos, doenças de base e o uso inadequado de lentes de contato podem influenciar o desconforto. Alguns remédios têm ressecamento como efeito adverso, mas não se deve suspender ou trocar nenhum tratamento por conta própria. Em pessoas com diabetes, doenças reumatológicas ou alterações de pele, o oftalmologista pode investigar se existe relação com a irritação ocular.

Quais sinais ajudam a diferenciar um incômodo passageiro?

O padrão do sintoma é mais útil do que tentar adivinhar a causa pela aparência. Ardor leve que melhora ao sair de um ambiente com fumaça, descansar da tela ou piscar mais pode estar ligado à irritação ou ao ressecamento. Ainda assim, se o desconforto volta com frequência, dura vários dias ou interfere na leitura e na caminhada, merece consulta.

Observe se o ardor é em um olho ou nos dois, se começou de repente e se há coceira, secreção, crostas, dor, sensibilidade à luz ou alteração da visão. Anote também os colírios usados, os medicamentos contínuos, o tempo diante de telas e a exposição a poeira ou produtos químicos. Essas informações ajudam o profissional a avaliar a superfície do olho, as pálpebras e a necessidade de exames.

Quando procurar atendimento com mais urgência?

Procure atendimento no mesmo dia se o ardor vier com perda ou queda importante da visão, dor intensa, sensibilidade forte à luz, trauma, contato com produto químico, secreção abundante ou dificuldade para abrir o olho. Vermelhidão intensa associada a náuseas, dor de cabeça forte ou halos ao redor das luzes também não deve ser observada em casa por vários dias.

Se a pessoa usa lentes de contato, retire-as diante do desconforto e busque orientação, sobretudo quando houver dor, vermelhidão ou visão embaçada. Não reutilize lentes, soluções ou colírios de outra pessoa. Em idosos com confusão mental, dificuldade para comunicar a dor ou baixa visão, a família deve observar mudanças de comportamento e procurar ajuda se o quadro parecer piorar.

O que fazer em casa até conseguir avaliação?

O primeiro cuidado é evitar esfregar os olhos. Lave as mãos antes de tocar o rosto e mantenha toalhas, fronhas, óculos e produtos de higiene de uso individual. Se houver poeira ou irritante no ambiente, afaste a pessoa do local e ventile o cômodo. Em contato com produto químico, lave os olhos com água corrente em abundância e procure atendimento, sem tentar neutralizar o produto com outra substância.

Reduza temporariamente o tempo contínuo diante de telas. Uma pausa para olhar para longe, piscar conscientemente e ajustar a iluminação pode diminuir o esforço visual. Evite vento direto de ventilador ou ar-condicionado e mantenha boa hidratação, respeitando as restrições definidas pela equipe de saúde para quem tem insuficiência cardíaca ou renal.

Compressa morna sobre as pálpebras fechadas pode aliviar alguns quadros de irritação palpebral, mas deve ser confortável, nunca quente a ponto de queimar. A limpeza das bordas das pálpebras precisa ser suave e, quando há crostas persistentes, é melhor perguntar ao oftalmologista qual produto e técnica usar. A orientação do Hospital Israelita Albert Einstein sobre incômodos nos olhos reforça que medidas caseiras podem aliviar, mas não tratam necessariamente a origem do problema.

Não pingue colírios “para tirar o vermelho”, antibióticos, anestésicos ou receitas caseiras sem orientação. Alguns produtos mascaram sinais importantes, irritam ainda mais a superfície ocular ou não são adequados para uso prolongado. Se o profissional indicar lágrimas artificiais, siga a frequência e o tipo recomendados, principalmente quando a pessoa usa vários medicamentos ou tem outras doenças.

Para complementar os cuidados, veja também o conteúdo do RBGG sobre olho seco em idosos, especialmente se o ardor aparece no fim do dia ou junto com sensação de areia. O link ajuda a organizar a observação, mas não substitui a avaliação de um oftalmologista.

Perguntas frequentes

Ardor nos olhos em idosos é sempre olho seco?

Não. Olho seco é uma possibilidade, mas alergia, blefarite, conjuntivite, irritação, medicamentos e outras condições também podem causar ardor. A persistência ou a presença de sinais associados pede avaliação.

Posso usar colírio por conta própria para aliviar a queimação?

É mais seguro não escolher colírios sem orientação. Produtos diferentes têm indicações e riscos distintos; o oftalmologista pode definir o tratamento adequado para a causa encontrada.

Compressa morna ajuda quando a pálpebra arde?

Pode aliviar alguns quadros de irritação nas pálpebras, desde que esteja apenas morna e não provoque dor. Se houver secreção, caroço persistente, piora ou alteração da visão, procure atendimento.

Quando o ardor nos olhos precisa de urgência?

Quando surge com perda de visão, dor forte, fotofobia intensa, trauma, produto químico, secreção abundante ou vermelhidão importante com outros sintomas. Nesses casos, não espere vários dias para buscar ajuda.



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