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Olhos lacrimejando em idosos: causas, cuidados e sinais de alerta

Por Carlos Meirelles 25/08/2026

Olhos lacrimejando em idosos podem parecer apenas uma reação ao vento, à poeira ou a uma irritação passageira. Mas, quando as lágrimas aparecem todos os dias, atrapalham a leitura ou vêm acompanhadas de dor e alteração da visão, a situação merece ser observada com mais cuidado. O lacrimejamento excessivo é chamado de epífora.

Para quem cuida de um familiar, a dúvida costuma ser prática: é preciso esperar melhorar, comprar um colírio ou marcar uma consulta? Não existe uma resposta única. As lágrimas podem aumentar porque a superfície do olho está irritada ou ressecada, porque há uma infecção, porque a pálpebra mudou de posição ou porque o sistema que drena o líquido ficou estreito ou bloqueado.

Pessoa idosa durante exame oftalmológico com equipamento de avaliação dos olhos

O que pode causar olhos lacrimejando em idosos?

As lágrimas têm uma função de proteção. Elas mantêm a superfície ocular úmida, ajudam a remover partículas e formam uma camada que participa da qualidade da visão. Em condições normais, o excesso escorre por pequenos canais no canto interno do olho e segue para o nariz. Se esse caminho não funciona bem, o líquido transborda para o rosto.

Em adultos mais velhos, uma causa possível é o estreitamento ou bloqueio do canal lacrimal. Inflamação, cicatrizes, infecções anteriores e mudanças que aparecem com o tempo podem dificultar a drenagem. Às vezes, além das lágrimas, surge secreção pegajosa ou um inchaço perto do canto do olho e do nariz. O Moorfields Eye Hospital explica como funciona a drenagem das lágrimas e por que uma obstrução pode provocar transbordamento.

Outra possibilidade é a irritação da superfície ocular. Vento, fumaça, ar-condicionado, poeira, cílios ou um pequeno corpo estranho podem fazer o olho produzir lágrimas de forma reflexa. Alergia e conjuntivite também podem causar lacrimejamento, geralmente acompanhados de coceira, vermelhidão, ardor ou secreção. Uma pancada ou arranhão na córnea deve ser considerado quando o sintoma começou depois de um acidente.

Parece contraditório, mas olho seco também pode provocar lágrimas. Quando a superfície fica pouco protegida, o organismo pode responder produzindo uma quantidade maior de lágrimas, que não têm a mesma estabilidade da lubrificação normal e acabam escorrendo. O RBGG já explicou como reconhecer olho seco em idosos e quando procurar avaliação; os dois problemas podem coexistir e não devem ser diferenciados apenas pela aparência.

Também vale observar as pálpebras. Uma pálpebra que se volta para fora pode afastar o ponto por onde a lágrima deveria entrar no canal. Se ela se vira para dentro, os cílios podem roçar no olho e provocar irritação. Alterações nos músculos ao redor dos olhos, algumas doenças e certos medicamentos também podem participar do quadro. Por isso, não é seguro escolher um tratamento apenas com base no fato de que o olho está molhado.

Como observar o sintoma antes da consulta?

Uma anotação simples ajuda o profissional a entender o padrão. Registre se o lacrimejamento acontece em um olho ou nos dois, se é contínuo ou aparece em determinados lugares e se piora ao sair no vento, ler, usar telas ou permanecer em ambiente com ar-condicionado. Anote também há quanto tempo começou e se houve queda, pancada, cirurgia, infecção recente ou mudança de medicamento.

Observe os sintomas que vêm junto. Coceira sugere uma irritação ou alergia como possibilidade; ardor e sensação de areia podem acompanhar ressecamento; secreção espessa e pálpebras grudadas podem ocorrer em infecções; dor, vermelhidão intensa e sensibilidade à luz exigem mais atenção. Nenhum desses sinais fecha um diagnóstico em casa, mas a combinação ajuda a definir a urgência da avaliação.

Até conseguir orientação, proteja os olhos de fumaça, poeira e vento forte. Óculos comuns ou de sol podem funcionar como uma barreira em ambientes externos, desde que não reduzam a segurança para caminhar. Se houver secreção na pele ao redor, limpe delicadamente com gaze ou pano limpo umedecido em água, sem esfregar o globo ocular e sem compartilhar toalhas.

Evite pingar colírios emprestados, sobras de tratamentos antigos ou produtos que prometem “tirar o vermelho”. Alguns colírios podem não ser adequados para a causa do sintoma, e produtos com medicamentos exigem avaliação profissional. Também não tente retirar algo preso no olho com pinça, cotonete ou a ponta de um pano. Se houver um cisco pequeno, piscar e lavar com solução apropriada pode ajudar, mas dor persistente ou sensação de arranhão precisa de exame.

Se o lacrimejamento for frequente, marque consulta com um oftalmologista ou procure a unidade de saúde que acompanha a pessoa. O profissional pode examinar a superfície do olho, as pálpebras e o caminho da drenagem. Em alguns casos, usa gotas coloridas para observar o escoamento das lágrimas; conforme os achados, pode indicar outros exames ou encaminhar para uma área específica.

Quando olhos lacrimejando exigem atendimento rápido?

Procure atendimento com mais urgência quando o lacrimejamento vier com perda ou redução súbita da visão, dor forte no olho, grande sensibilidade à luz ou vermelhidão intensa. Esses sinais não devem ser tratados como uma simples irritação. O NHS orienta buscar avaliação urgente diante de alteração visual ou dor ocular importante.

  • olho lacrimejando depois de pancada, corte ou contato com produto químico;
  • sensação de corpo estranho que não melhora após uma lavagem cuidadosa;
  • secreção abundante, inchaço doloroso perto do nariz ou febre;
  • dor de cabeça intensa associada a dor ocular, náusea ou mudança da visão;
  • olho muito vermelho, visão embaçada nova ou dificuldade para manter o olho aberto;
  • lacrimejamento acompanhado de fraqueza facial, fala alterada ou outro sinal neurológico súbito.

Em caso de produto químico, lave o olho com água corrente em abundância e procure orientação de emergência. Não espere a consulta de rotina. Depois de uma lesão, também não cubra o olho com força nem tente pressioná-lo. A prioridade é proteger a região e buscar o serviço indicado.

Mesmo sem sinais de emergência, consulte um profissional quando as lágrimas persistirem, forem recorrentes ou começarem a impedir atividades como ler, cozinhar, caminhar e dirigir. O lacrimejamento pode embaçar a visão e aumentar o desconforto, mas a causa pode ser tratável. A Cleveland Clinic ressalta que muitos casos são temporários, enquanto outros precisam investigar infecção ou obstrução dos canais lacrimais.

O cuidado mais seguro é não minimizar o sintoma e também não imaginar o pior antes do exame. Levar a lista de medicamentos, informar doenças anteriores e descrever o início do problema torna a consulta mais objetiva. Se a pessoa idosa tiver dificuldade para explicar o que sente, o cuidador pode registrar as situações em que as lágrimas aparecem e acompanhar a evolução.

Perguntas frequentes sobre olhos lacrimejando em idosos

Olho lacrimejando pode ser sinal de olho seco?

Sim. O ressecamento pode irritar a superfície ocular e provocar lágrimas reflexas. É preciso examinar o olho para diferenciar essa possibilidade de alergia, infecção ou alteração na drenagem.

Posso usar colírio por conta própria?

Não é a opção mais segura. Lágrimas artificiais podem ser indicadas em algumas situações, mas colírios com medicamentos, sobras de tratamentos e produtos para “clarear” os olhos podem piorar ou mascarar o problema.

Quando o lacrimejamento precisa de oftalmologista?

Marque avaliação se as lágrimas persistirem, voltarem com frequência, atrapalharem a rotina ou vierem com secreção, mudança na pálpebra, dor ou alteração visual.

O que fazer se caiu um produto químico no olho?

Lave imediatamente com água corrente em abundância, sem esfregar, e procure atendimento de emergência. Não espere o sintoma passar nem pingue outro produto para neutralizar o primeiro.

Olhos lacrimejando sempre são uma urgência?

Não. Muitos episódios são temporários, mas dor forte, perda de visão, lesão, vermelhidão intensa ou piora súbita mudam a prioridade e exigem atendimento rápido.

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