Ver sangue saindo do nariz assusta, principalmente quando acontece com uma pessoa idosa ou se repete sem explicação. Na maioria das vezes, o episódio tem relação com ressecamento ou uma pequena irritação, mas a idade, os medicamentos em uso e a intensidade do sangramento mudam a forma de avaliar a situação.
O nome médico é epistaxe. Ela pode começar na parte da frente do nariz, onde há vasos mais superficiais, ou mais profundamente, com um sangramento que escorre para a garganta e tende a ser mais difícil de controlar. Por isso, observar o padrão e agir corretamente é mais útil do que tentar adivinhar a causa em casa.

Quais são as causas mais comuns de sangramento nasal em idosos?
O interior do nariz tem muitos vasos sanguíneos próximos da superfície. Quando a mucosa fica seca, ela pode formar crostas e pequenas fissuras. Clima seco, ar-condicionado, aquecedor, baixa ingestão de líquidos e uso excessivo de produtos descongestionantes podem favorecer esse ressecamento. Assoar o nariz com força, coçar, retirar crostas ou sofrer uma pancada também pode romper um vaso.
Em pessoas mais velhas, a mucosa pode ser mais frágil e a cicatrização local pode ser mais lenta. Alterações dos vasos relacionadas ao envelhecimento também aparecem entre as possibilidades. Isso não significa que todo sangramento seja consequência da idade: rinite, infecção, alergia, desvio de septo e irritações locais também podem participar.
Os remédios merecem atenção especial. Anticoagulantes, antiagregantes e alguns anti-inflamatórios podem tornar o sangramento mais prolongado ou intenso. Isso não quer dizer que a pessoa deva suspender o medicamento por conta própria. A decisão precisa ser feita pelo profissional que acompanha o tratamento, porque interromper um remédio importante também pode trazer risco.
A pressão alta costuma ser lembrada como causa, mas não é correto atribuir automaticamente todo episódio à hipertensão. Conforme explica o Manual MSD sobre epistaxe, a pressão pode contribuir para a persistência de um sangramento que já começou, mas é improvável que seja a única origem. A avaliação deve considerar o conjunto: duração, volume, recorrência, sintomas associados e histórico de saúde.
O que fazer na hora para tentar controlar o sangramento?
Ajude a pessoa a se sentar e mantenha o tronco levemente inclinado para a frente. Essa posição reduz a chance de engolir sangue ou aspirar o conteúdo. Oriente-a a respirar pela boca e a cuspir o sangue que chegar à garganta, sem forçar a limpeza do nariz.
Com o polegar e o indicador, aperte a parte macia do nariz, logo abaixo da região óssea, fechando as narinas contra o septo. A pressão deve ser contínua por cerca de 10 a 15 minutos. Não solte a cada poucos segundos para verificar se parou, porque isso pode desfazer o coágulo que está se formando. Um relógio ajuda a cumprir o tempo.
Não incline a cabeça para trás, não deite a pessoa e não coloque papel, algodão ou objetos profundamente dentro da narina. Também não é recomendado assoar o nariz logo depois. O Hospital Israelita Albert Einstein orienta sentar-se, inclinar a cabeça ligeiramente para a frente e comprimir a narina que sangra; se não houver melhora após aproximadamente 15 minutos, é necessário procurar assistência.
Uma compressa fria sobre o nariz ou as bochechas pode trazer conforto, mas não substitui a compressão direta. Durante o episódio, afaste calor, banho quente, esforço físico e bebidas muito quentes. Se a pessoa usa anticoagulante ou tem histórico de sangramento, informe isso à equipe de atendimento e leve a lista de medicamentos.
Quando o sangramento nasal exige atendimento mais rápido?
Procure um serviço de urgência se o sangue for intenso, se escorrer continuamente para a garganta, se houver tontura, desmaio, fraqueza importante, falta de ar, palidez ou confusão. Sangramento depois de uma queda ou pancada na cabeça também precisa de avaliação, mesmo que pare temporariamente.
O atendimento é especialmente importante quando não há controle depois de 15 a 20 minutos de pressão correta, quando os episódios estão se repetindo ou quando o sangue parece vir de uma região profunda. Em adultos mais velhos, sangramentos posteriores podem ser mais difíceis de perceber no início, pois o sangue pode descer para a garganta em vez de sair apenas pela frente do nariz.
Avise o profissional se houver manchas roxas sem explicação, sangramento na gengiva, fezes muito escuras, sangue na urina ou histórico de doença no fígado, alteração das plaquetas ou problema de coagulação. Esses sinais não confirmam uma causa, mas ajudam a decidir quais exames e cuidados são necessários.
Depois que o episódio passar, marque avaliação com clínico, geriatra ou otorrinolaringologista se o sangramento voltar. O médico pode examinar o nariz, revisar remédios, investigar doenças associadas e, em alguns casos, indicar tratamento local. Não tente cauterizar o nariz em casa e não use sprays ou pomadas sem orientação.
Perguntas frequentes
Sangramento nasal em idosos sempre é sinal de pressão alta?
Não. Ressecamento e pequenos traumas são causas frequentes, e a pressão alta pode contribuir para a persistência, mas não explica sozinha todos os casos. O quadro precisa ser avaliado conforme a intensidade, a duração e os medicamentos usados.
Devo colocar a cabeça para trás quando o nariz sangra?
Não. O mais seguro é sentar e inclinar a cabeça levemente para a frente, enquanto se comprime a parte macia do nariz por 10 a 15 minutos sem interromper.
Quem usa anticoagulante deve suspender o remédio?
Não suspenda por conta própria. Informe o uso à equipe de saúde e peça orientação ao profissional responsável pelo tratamento.
O que fazer se o sangramento voltar com frequência?
Registre quando ocorre, quanto tempo dura, qual narina sangra e quais medicamentos estavam em uso. Leve essas informações a um clínico, geriatra ou otorrinolaringologista para investigação.
Quando devo chamar o serviço de emergência?
Quando o sangramento for intenso, não parar após pressão adequada, vier acompanhado de desmaio, tontura, falta de ar, confusão ou acontecer depois de trauma na cabeça.
Se a pessoa idosa está bem e o sangramento foi breve, ainda vale observar a mucosa nasal, evitar manipulação e manter o acompanhamento habitual. Se houver também sinais de desidratação, confira as orientações do RBGG sobre desidratação em idosos, mas não use esse conteúdo para substituir avaliação profissional.
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