Zumbido no ouvido em idosos pode ser percebido como chiado, apito, pressão, som de água, clique ou uma pulsação. Às vezes aparece por alguns minutos e desaparece. Em outras situações, passa a acompanhar a pessoa durante boa parte do dia e começa a atrapalhar o sono, a concentração ou as conversas. Para a família, é comum ouvir que o idoso “está ouvindo coisas”, mas o zumbido não é imaginação: é uma percepção sonora sem uma fonte externa que outras pessoas consigam ouvir.
O sintoma é frequente, mas não deve ser atribuído automaticamente à idade. Pode acompanhar algum grau de perda auditiva, acúmulo de cerume, infecções, exposição a ruído, alterações na mandíbula, doenças circulatórias ou efeito de medicamentos. Em muitos casos não há uma causa única evidente. O caminho mais seguro é observar como começou, em qual ouvido aparece e quais outros sintomas vieram junto, para levar essas informações a um profissional.

Como reconhecer o zumbido e o que pode estar por trás dele?
O zumbido pode acontecer em um ouvido, nos dois ou parecer estar dentro da cabeça. Pode ser contínuo ou intermitente, baixo ou alto, agudo ou grave. Algumas pessoas o percebem mais quando o ambiente fica silencioso, especialmente à noite. Isso não significa necessariamente que o problema esteja piorando naquele momento; a ausência de outros sons apenas faz a percepção interna ocupar mais atenção.
O Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios da Comunicação dos Estados Unidos descreve o tinnitus como a percepção de um som que não tem fonte externa. A instituição também informa que muitas pessoas com zumbido apresentam algum grau de perda auditiva. O Manual MSD lembra que, em pessoas mais velhas, a perda auditiva progressiva pode estar relacionada ao envelhecimento, ao ruído e a fatores individuais, mas precisa ser avaliada em vez de ser tratada como consequência inevitável.
Entre as causas possíveis estão cerume acumulado, infecção, perda auditiva relacionada à idade, exposição a sons intensos, trauma, alterações na articulação da mandíbula e alguns medicamentos. A lista não serve para a família escolher uma causa por conta própria. Um ouvido tampado por cerume pode produzir redução da audição e ruídos, mas introduzir hastes flexíveis ou objetos no canal pode empurrar o cerume e machucar a pele. Limpeza, gotas e mudanças de medicação devem seguir orientação profissional.
Também vale observar se o zumbido surgiu depois de uma queda, infecção respiratória, dor no ouvido, viagem de avião, mudança de medicamento ou período de muito estresse. Ansiedade e noites maldormidas podem aumentar o incômodo, mas isso não prova que sejam a origem do sintoma. O objetivo do registro é dar contexto para a consulta, não transformar o cuidador em investigador ou diagnosticar a pessoa em casa.
Quais sinais pedem avaliação rápida?
Zumbido que começa de repente junto com perda de audição, principalmente em um só ouvido, merece avaliação médica rápida. O mesmo vale para sintomas neurológicos, como fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, alteração importante do equilíbrio, visão dupla ou confusão. Esses sinais podem ter várias causas e não devem ser explicados apenas pelo zumbido.
Procure atendimento com mais urgência se o som acompanha o ritmo do coração, se aparece depois de uma pancada na cabeça, se vem com dor intensa, secreção ou sangue no ouvido, febre, vômitos persistentes ou vertigem incapacitante. O zumbido pulsátil pode ter causas vasculares ou estruturais que precisam de investigação. Nem todo som pulsante representa uma emergência, mas a característica deve ser relatada sem esperar que desapareça sozinha.
A avaliação também não deve ser adiada quando o barulho é unilateral e persistente, quando a pessoa começa a se isolar por não entender conversas ou quando o sintoma causa insônia, irritabilidade, ansiedade ou dificuldade para realizar atividades. O impacto na rotina é uma informação clínica importante. Uma pessoa que diz “já me acostumei” pode ainda estar evitando telefone, reuniões ou saídas por não conseguir acompanhar o que é dito.
Enquanto aguarda atendimento, mantenha a pessoa sentada ou apoiada se houver tontura e ajude a evitar quedas. Não coloque óleo, água oxigenada, álcool ou qualquer objeto no ouvido sem indicação. Se houver desmaio, sinais de derrame, dor no peito ou dificuldade para respirar, acione o serviço de emergência. O sintoma auditivo pode estar acompanhado de outro problema que exige cuidado imediato.
Como é feita a investigação e quais cuidados podem ajudar?
A consulta costuma começar com perguntas sobre o início, a duração, o lado afetado, o tipo de som, a exposição a ruídos, os medicamentos em uso e a presença de perda auditiva, dor, secreção, tontura ou pulsação. O profissional examina o ouvido e pode solicitar avaliação audiológica. Dependendo do padrão encontrado, otorrinolaringologista e fonoaudiólogo podem participar de etapas diferentes do cuidado.
O Ministério da Saúde informa que os serviços habilitados em saúde auditiva e os Centros Especializados em Reabilitação com modalidade auditiva realizam avaliação, diagnóstico, seleção, fornecimento e acompanhamento de aparelhos auditivos pelo SUS. Isso não significa que todo zumbido precise de aparelho. Quando há perda auditiva associada, porém, a equipe pode avaliar se um dispositivo, reabilitação ou outra estratégia faz sentido. O próprio RBGG já explicou como os tipos de aparelho auditivo se diferenciam; essa leitura ajuda a entender o assunto, mas não substitui uma indicação individual.
Não existe um comprimido único que resolva todos os casos. Quando há cerume, infecção ou outra causa tratável, cuidar da condição de base pode reduzir ou eliminar o ruído. Para sintomas persistentes, a equipe pode discutir terapia sonora, tratamento da perda auditiva, estratégias comportamentais e acompanhamento do sono e do humor. O objetivo pode ser diminuir a intensidade percebida ou reduzir o espaço que o zumbido ocupa na vida, sem prometer que ele desaparecerá em todos os casos.
Em casa, um som ambiente suave pode ajudar algumas pessoas a não perceberem tanto o zumbido no silêncio. Ventilador, rádio em volume baixo ou aplicativo de som contínuo são opções possíveis, desde que não fiquem altos nem atrapalhem o descanso. Mantenha horário de sono razoável, atividade durante o dia compatível com a saúde e conversas em ambientes bem iluminados, com pouco ruído de fundo. Falar de frente, chamar a atenção da pessoa antes de começar e confirmar o entendimento são atitudes mais úteis do que simplesmente aumentar a voz.
Evite comprar “curas” pela internet, usar suplementos por conta própria ou interromper remédios prescritos. Produtos naturais também podem interagir com tratamentos e não têm eficácia garantida para todos os tipos de zumbido. Leve à consulta a lista completa de medicamentos, inclusive os usados eventualmente, e anote se o som mudou depois de alguma dose ou horário. Essa informação pode orientar uma revisão segura, nunca uma suspensão sem acompanhamento.
Perguntas frequentes
Zumbido no ouvido é sempre sinal de perda auditiva?
Não. O zumbido pode acompanhar perda auditiva, cerume, infecção, exposição a ruído e outras situações, mas também pode ocorrer sem uma causa identificada. A avaliação auditiva ajuda a esclarecer o caso.
O silêncio piora o zumbido?
O silêncio não necessariamente aumenta a origem do sintoma, mas pode fazer o som interno parecer mais evidente. Um som ambiente baixo e confortável pode ajudar algumas pessoas, sem substituir a investigação.
Posso limpar o ouvido do idoso em casa?
Evite introduzir hastes, pinças ou objetos. Se houver sensação de ouvido tampado, redução da audição ou suspeita de cerume, procure avaliação para que a limpeza seja feita de modo apropriado.
Quando o zumbido pode indicar urgência?
Quando surge de forma súbita com perda auditiva, após trauma, com sintomas neurológicos, dor intensa, secreção, febre, vertigem incapacitante ou som que acompanha o pulso. Nesses casos, procure atendimento rapidamente.
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